1 de mar de 2014

Sobre o bloqueio criativo se meter aonde não deve

Eu estava passando por aquela coisa de não conseguir escrever. Aquela coisa de olhar para a página em branco do blogger e ficar por isso mesmo. Escrevia algumas palavras, logo depois me pegava deletando tudo, resmungando e amaldiçoando o meu cérebro por não conseguir fazer algo de bom. Boa parte das pessoas passam por isso.
Principalmente pessoas que tem blogs.
O interessante é que o "não poder escrever" nunca é só "não poder escrever". Sempre vem com algo a mais. Seja não conseguir desenhar, não conseguir se expressar, não conseguir fazer o que quer que seja. Bem, dessa vez todas essas coisas vieram juntas. Foi tão forte que nem atividades diárias eu conseguia realizar com êxito.
Tenho uma técnica que me ajuda quanto a isso. Pego o meu diário e começo a escrever como foi o meu dia, a fazer um rabisco aqui e ali, a dizer tudo o que penso aleatoriamente. Não confio em diários, o meu serve (basicamente) só para isso. Para ajudar com o tal bloqueio criativo.
Pois bem, fui tentar isso dessa vez, certa de que tudo seria como o habitual, de que seria só começar a escrever ali para tudo estabilizar. Adivinhem só.
Eu não consegui.
Eu não consegui escrever para uma porcaria de um diário! Eu estava me preocupando com a estética do que estava escrevendo. Estava selecionando as palavras minuciosamente, como se a minha vida dependesse daquilo. E bem, como alguém pode querer acabar com o bloqueio criativo dessa forma?
O ideal é sair escrevendo de qualquer jeito. Sem se preocupar com garranchos ou erros ortográficos, sem se preocupar com palavrões ou palavras riscadas.
Quando me dei conta de que aquilo não era normal, acabei descobrindo o que aconteceu.
A droga do bloqueio criativo bloqueou até o meu criativo intimo!

17 de fev de 2014

O primeiro capítulo de Tulipa

Tulipa queria entrar para o clube de teatro. Finalmente havia decidido, e Celeste, a sua melhor amiga, a apoiara. A ficha já estava completa, e Tulipa estava indo concluir a sua inscrição. Ela estava cheia de expectativas sobre como iria ser a sua vida após entrar em um clube. Ah, ela estava finalmente pronta para viver as incríveis aventuras de uma pessoa do ensino médio! E o melhor: estava pronta para viver as incríveis aventuras de uma pessoa do ensino médio que é membro de um clube! Incrível, não?
A sua escola era uma espécie de internato. Aquele tipo de escola aonde crianças problemáticas são jogadas e esquecidas, lembradas apenas em seus aniversários e nos feriados. Tulipa não era problemática, ela simplesmente estudava ali. Não existia um motivo concreto para aquilo. Foi uma coisa que aconteceu do nada.
As coisas aconteciam mais ou menos assim na vida de Tulipa, do nada. A sua decisão de entrar no clube de teatro, por exemplo. Falando em clube de teatro, vamos voltar para a parte em que ela estava concluindo a sua inscrição.
Tulipa, depois de um bom tempo procurando a presidente do clube de teatro, a encontrou. Ela se apresentou e entregou a sua ficha. Depois dali ela seria definitivamente um membro do clube! A presidente a encarou por uns instantes leu o papel rapidamente, e então começou a falar.
— Bem vinda ao clube de teatro, ahn — disse a presidente, trazendo a ficha de inscrição de Tulipa um pouco para perto do rosto para enxergar o seu nome. — Tulipa!
Tulipa sorriu de forma educada.
A presidente fez a mesma coisa.
Aquele clima educado de gente educada que sorri amigavelmente e não tem o que falar surgiu. Tulipa começou a pensar que deveria dizer alguma coisa, mas o quê?
— Ah, é, obrigada — disse Tulipa.
— Obrigada? Pelo quê? — perguntou a presidente em um tom animado.
— Por pegar a minha ficha, e...
— Ah, isso? Não foi nada — disse a presidente, que parecia ficar cada vez mais animada.
— Ah, bem, eu, ahn. Eu acho que... Ér...
—Você tem alguma experiência com teatro? — disse a presidente, demonstrando interesse. — Quero dizer, você parece ser um pouco tímida.
“Um pouco tímida”?! Merda, Tulipa não tinha pensado neste pequeno detalhe. Essas palavras foram como uma chicotada para ela, e uma lembrança de muito tempo atrás veio á tona. Tulipa havia participado de um clube de teatro, no ensino fundamental, mais precisamente na terceira série. A escola estava se organizando para uma incrível peça, e Tulipa, membro do clube de teatro, iria ter que fazer a sua parte. Ela iria ser a árvore número 3! E sim, ela falhou como a árvore número 3. Quem falha como a árvore número 3?! E por que diabos uma infeliz que fica nervosa sendo a insignificante árvore número 3 iria voltar para o mundo do teatro? A última coisa e não menos importante, como essa memória abriu um buraco e sumiu, retornando somente naquele momento?
— Não que nós não possamos te ajudar! — continuou a presidente — Muitas pessoas que fazem parte do nosso clube eram assim inicialmente. Eu por exemplo, era muito tímida, não só eu, tinha também a...
Tulipa não conseguiu entender o resto. Ela estava ouvindo, mas o seu cérebro estava interpretando como algo do tipo: blá blá blá. Aquela cena constrangedora da sua fantasia de árvore número 3 rasgando, das suas mãos sujas de um maravilhoso vômito, aquele barulho das pessoas rindo e perguntando coisas como “A garota da árvore está bem?” estava inundando a sua cabeça.
— Olha, presidente, sei que isso é repentino mas eu terei que sair do clube. — disse Tulipa em um tom que soava como “nem tente me fazer mudar de ideia”.

14 de fev de 2014

Sobre começar a escrever em um blog

Eu sempre tenho a impressão de que vou acabar perdendo tudo o que escrevo. Se guardo os meus rabiscos em documentos no computador, penso que hora ou outra ele vai apresentar problemas e todos os meus registros vão por água abaixo. Se guardo em diários ou coisas do gênero, fico com a impressão de que ele vai sumir em alguma mudança, ou até mesmo em uma faxina.
O mais seguro é guardar o que escrevo por aqui, não?